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Está aberta a temporada de "caça" a engenheiros. Depois de amargar uma grande estagnação a partir dos anos 80, o mercado de trabalho passa, nos últimos anos, por um boom. Apesar de algumas controvérsias, a maioria das empresas, sindicatos e universidades afirma que não há profissionais formados suficientes para atender à crescente demanda, que hoje chega a cerca de 80 mil por ano. Se, por um lado, Isso traz um futuro promissor para quem quer se aventurar na profissão, por outro acende uma luz de advertência: o país precisa formar mais engenheiros, e de qualidade, para que, num futuro próximo, nossos planos de crescimento não sejam afetados. Isso sem considerar a crescente pressão por trabalho de engenheiros estrangeiros, alcançados pela crise econômica.
A principal conseqüência de não termos engenheiros no mercado é a perda da competitividade e da inovação tecnológica, o que pode nos deixar à mercê de tecnologia estrangeira. Atualmente, a proporção de engenheiros na população economicamente ativa é baixa em comparação a outros paí-ses: no Brasil, são seis para cada mil pessoas economicamente ativas. Na América do Sul, esta relação varia muito, mas tem ficado acima de 8 para cada mil, e em nações em desenvolvimento, como China, índia, Rússia e África do Sul, a proporção varia de 12 a 18. Ou seja, os países que competem diretamente conosco têm de duas a três vezes mais engenheiros. Nos países desenvolvidos, a proporção é ainda mais elevada.
O cenário tem impulsionado universidades a investir mais na área, e as empresas do setor têm investido de forma maciça em cursos de aperfeiçoamento, as chamadas universidades corporativas. O interesse dos estudantes na última década em cursar engenharia, graças à quantidade de oportunidades, também aumentou, e isso se reflete nos números de novos registros do Crea-RJ, que vêm se ampliando a cada ano.
Estas iniciativas, no entanto, apenas amenizam a escassez. Para além do esforço das instituições de ensino superior em aumentar o número de cursos e vagas, é preciso combater a evasão na graduação, que pode chegar a mais de 40%. O abandono, na maioria das vezes, é causado pela grande dificuldade dos alunos em cumprir as disciplinas dos primeiros anos, que exigem matemática e física, expondo uma grave deficiência do ensino básico brasileiro.
Outra medida importante é o incentivo à pesquisa, uma vez que as bolsas de mestrado e doutorado não são atraentes para quem está sendo disputado pelo mercado. Com estas ações conjuntas, é possível superar o temido risco do apagão tecnológico, o que seria uma vergonha no país que tem a sexta maior economia do mundo.
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